segunda-feira, 6 de junho de 2011

Noticia: Conselho de Educação refaz parecer sobre livro de Monteiro Lobato


Livro 'Caçadas de Pedrinho' teve frases consideradas preconceituosas. 
Novo parecer sugere que obra seja contextualizada em sala de aula.

O Conselho Nacional de Educação emitiu um novo parecer sobre o livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, depois que o documento original, que considerava que a obra deveria ser retirado da relação de publicações atribuídas às escolas públicas, foi "devolvido" pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Pelo novo parecer, o livro pode ser mantido nas escolas, mas é preciso que a obra seja contextualizada pelos professores quando utilizada em sala de aula.A polêmica surgiu no ano passado, quando um parecer anterior destacava que no livro de Lobato os negros e as religiões africanas são tratados com preconceito no livro, quando o autor se refere à "personagem feminina e negra Tia Anastácia” e também devido às “referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas".O novo parecer sugere que seja destacado um projeto pedagógico de superação dos preconceitos e estereótipos veiculados socialmente, na valorização da diversidade e na promoção da igualdade étnico-racial. "É responsabilidade dos sistemas de ensino e das escolas identificar a incidência de estereótipos e preconceitos garantindo aos estudantes e a comunidade uma leitura crítica destes de modo a se contrapor ao impacto do racismo na educação escolar", diz o documento. "É também dever do poder público garantir o direito à informação sobre os contextos históricos, políticos e ideológicos de produção das obras literárias utilizadas nas escolas, por meio da contextualização crítica destas e de seus autores."Ainda segundo o CNE, "uma sociedade democrática deve proteger o direito de liberdade de expressão e, nesse sentido, não cabe veto à circulação de nenhuma obra literária e artística. Porém, essa mesma sociedade deve garantir o direito à não discriminação, nos termos constitucionais e legais, e de acordo com os tratados internacionais ratificados pelo Brasil."O documento destaca a qualidade ficcional da obra de Monteiro Lobatoe o seu valor literário. "É necessário considerar que somos sujeitos da nossa própria época e responsáveis pelos desdobramentos e efeitos das opções e orientações políticas, pedagógicas e literárias assumidas no contexto em que vivemos. Nesse sentido, a literatura, em sintonia com o mundo, não está fora dos conflitos, das hierarquias de poder e das tensões sociais e raciais nas quais o trato à diversidade se realiza."documento, aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE.A obra de Monteiro Lobato foi escrita em 1933 e faz parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) e é distribuída em escolas públicas de todo o país.

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Jonathan Cruz

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